segunda-feira, 27 de junho de 2016

SUGESTÕES PARA REDAÇÕES - REDAÇÃO 1

   
     A partir daqui, vamos trabalhar com sugestões de redações que poderão ser desenvolvidas pelos  inte-ressados.
REDAÇÃO 1
Redija uma dissertação com, no máximo, vinte linhas, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.
TEXTO I
 Ser brasileiro é ter todo esse instrumental, que vai da caixinha de fósforos à sinfônica, e toda essa variedade de ritmos e sentimentos para escolher. O povo, aqui, nasce  condenado a muita angústia e chateação, mas também nasce condômino deste imenso universo sonoro, chamado alma brasileira por falta de um nome mais espe-cífico.
                                                                                                 (Luís Fernando Veríssimo)

TEXTO II
 A arte deve ser o espelho da alma nacional; uma nação que procura arte no estrangeiro, por ser supostamente melhor, jamais verá a própria alma.
                                                                                                            (Chopin)










COMENTÁRIO:
Nesta proposta, o candidato deverá ler com muita atenção os textos de Luís Fernando
Veríssimo e de Chopin, extraindo deles um tema comum, o qual norteará sua produção
textual
.
A redação poderá envolver a constituição da alma brasileira, resultado da fusão de três
 povos: o indígena
, o português e o africano. Tal miscigenação resulta numa arte bastan-
te diversificada, e um dos maiores exemplos é a produção musical brasileira, que vai da
música popular à erudita
, com riqueza de estilos e ritmos.
Outro elemento que se poderá reforçar é a capacidade do brasileiro de transformar
seu sofrimento em arte, fato comprovado em diversas composições.
     Além disso, o candidato terá ainda a possibilidade de questionar o excesso de influência da arte estrangeira, o que poderá significar uma perda da identidade nacional.
    Mãos à obra!!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A COMPOSIÇÃO DE TEXTO MISTO

   O texto misto é aquele no qual utilizamos modalidades diferentes de redação: narração, descrição e dissertação.
   Poderíamos encontrar, neste tipo de texto, as três modalidades ou apenas duas delas,as quais se combinariam de diferentes formas: dissertação e narração, dissertação descrição, narração e descrição.
   Optamos por abordar, neste livro, a elaboração do texto misto composto por narração e descrição. Parece razoável supor que, nas redações escolares, você será solicitado inúme-ras vezes, a compor narrações que, a nosso ver, poderiam ser enriquecidas pela introdução de trechos descritivos.
  Nesse tipo de texto predomina basicamente a narração, podendo haver um ou dois trechos de descrição: ou de algum personagem ou do local onde a história narrada se passa. Há também a possibilidade de introduzirmos um pequeno texto descritivo men- cionando as características de um objeto que, por qualquer motivo, assuma alguma im- portância dentro da história.
   Embora haja possibilidades diferentes de estruturarmos um texto misto, podemos traçar um esboço de um esquema de composição de texto misto, o qual se mostre o mais abrangente possível. Lembre-se: ele é basicamente constituído pelo esquema da narração, com alguns acréscimos de trechos descritivos.

                              Esquema de composição de texto misto
                                                         Título
1º parágrafo
Explicação sobre que fato ocorreu.
Quando aconteceu.                       
Onde tudo se passou.
Introdução
2º parágrafo
Descrição do local onde o fato ocorreu.
Desenvolvimento

3º parágrafo
Personagens envolvidos e causas do fato (incluindo trecho de descrição de algum personagem). Como tudo aconteceu.

Desenvolvimento
4º parágrafo
Consequências do fato.
Conclusão

  Tendo em vista as explicações dadas em capítulos anteriores, tornam-se desnecessárias longas explicações sobre o esquema dado. Convém apenas mostrar-lhe um exemplo de uma redação elaborada a partir dele.

                                              Inimigo meu                                    

   Ocorreu um lamentável incidente entre Sérgio Henrique e Fábio Augusto, vizinhos de uma rua pacata da Zona Oeste de São Paulo, quando assistiam a uma partida de futebol, no estádio do Morumbi.
   A rua em que moravam era um tanto estreita e dos dois lados era constituída por pequenos sobrados - todos de mesmo estilo de construção - que, outrora, pertenceram a um só dono. Os sobrados dos dois rapazes eram separados somente por uma pequena mercearia. Nas tardes de fim de semana era comum, devido ao quase inexistente tráfego de veículos, a formação de um grupo de meninos para jogar ali o futebol de rua.
   Mas os dois moços nunca jogaram juntos. Conheciam-se de vista apenas, pois tinham nascido e crescido ali. Entretanto, nunca trocaram uma só palavra, apenas olhares hostis, numa demonstração de desprezo incomensurável. O motivo daquele ódio de quase duas décadas era o amor que cada um tinha por seu time de futebol: duas agremiações esportivas tradicionalmente rivais.
   Em uma ensolarada tarde de domingo, o Morumbi novamente acolhia um público gigantesco para mais um clássico. Os torcedores chegavam animados, dirigindo-se para os lugares destinados às diferentes torcidas. Porém a agitação era bem menor nas cadeiras numeradas. Sérgio Henrique, com seu jeito tímido, calado e calmo, sentou-se em sua cadeira, feliz com a expectativa de vitória iminente do time, que era praticamente a razão de sua existência, já que abarrotava o seu quarto costumeiramente de bandeiras, camisetas, flâmulas, fotos autografadas e tudo o mais que se possa imaginar. Cinco minu-
tos após, tomava assento, três fileiras abaixo, Fábio Augusto. Os dois levaram dez minutos para perceber a presença um do outro. O sorriso desapareceu do rosto de Sérgio Henrique; um calafrio de ódio invulgar percorreu a coluna vertebral de Fábio Augusto. A partida começou. Um dos times marca o primeiro gol. O time adversário consegue o empate. E, antes que a partida tivesse qualquer definição, os dois vizinhos correram simultaneamente por sobre as cadeiras, pisando involuntariamente nos espectadores e engalfinharam-se numa luta corporal que espantou a todos.
   Depois de separados pelos guardas que, a muito custo, contiveram seus ânimos, foram levados para o plantão policial do estádio e lá, sentados lado a lado em um banco, ficaram duas horas no mais absoluto silêncio, sem trocar nem mesmo um olhar, até serem liberados pelos soldados.

   Procure lembrar sempre: o esquema não deve limitar a elaboração de seu texto. Ele é uma sugestão. Irá, com certeza, orientá-lo a compor o texto misto, caso sinta alguma dificuldade inicial. No entanto, você é livre para alterá-lo da maneira que julgar conve- niente. Nada o impede, inclusive, de começar seu texto por um parágrafo descritivo.

EXERCÍCIOS
 1.Componha um texto misto contando um fato totalmente inesperado que aconteceu com você durante um acampamento, em uma manhã chuvosa.


2.Elabore um texto misto falando do roubo de um colar de diamantes. Procure basear-se no esquema de composição de texto misto, mas, no segundo parágrafo, em vez de descrever o local dos acontecimentos, descreva o objeto roubado. Não se esqueça de criar um título interessante.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A DESCRIÇÃO DE AMBIENTES E PAISAGENS

  Toda vez que nós quisermos descrever um lugar, devemos primeiramente apontar se esse local é fechado ou aberto, Caso seja um local fechado, nós o denominaremos ambiente; se, entretanto, for um lugar a céu aberto, chamaremos paisagem.
   A paisagem. por sua vez, pode ser rural (campestre) ou urbana (vista que se tem de uma cidade).
   Cumpre, dessa forma, elaborar dois esquemas básicos: o da descrição de ambientes e o da descrição de paisagens.

A descrição de ambientes

   Segundo nossa concepção. a descrição de ambientes obedeceria ao seguinte esquema:

                                   Esquema de descrição de ambientes
                                                       Título

1º parágrafo
Comentário de caráter geral.
Introdução

2º parágrafo
Detalhes referentes à estrutura global do am- biente: paredes (janelas e portas), chão, teto, lu- minosidade e aroma se houver.


Desenvolvimento

3º parágrafo
Detalhes específicos em relação a objetos lá exis- tentes: móveis, eletrodomésticos, quadros, escul- turas ou quaisquer outros objetos

Desenvolvimento
4º parágrafo
Observações sobre a atmosfera que paira no ambi-ente.
Conclusão


   De acordo com as indicações deste esquema, é bom começar a descrição do ambiente escolhido com uma referência qualquer ao lugar como um todo. Uma possibilidade é localizá-lo mais precisamente: casa, museu, biblioteca, bairro. cidade. etc. Há, porém, inúmeras outras possibilidades de fazermos um comentário que não revele apenas um detalhe insignificante.
   No início do Desenvolvimento, tratamos da estrutura do ambiente. Falamos de como são suas paredes (cor, estado de conservação, etc.), apontando a existência e a loca- lização de janelas e portas. Comentamos, em seguida, as características do chão e do teto, fazendo também observações acerca de sua cor, material com o qual são construí- dos, estado de conservação e outros detalhes relevantes. Ao falarmos sobre a luminosi- dade, podemos mencionar, por exemplo, a presença de lustres luxuosos ou, dependendo do local, de uma certa escuridão decorrente da má iluminação. Ainda é possível fazer referência ao aroma de plantas lá existentes ou a outros menos agradáveis, como o do mofo. Tudo dependerá do tipo de ambiente que você estiver descrevendo.
   No segundo parágrafo do Desenvolvimento, entramos em pormenores. Escolhemos uma ordem (ou direção) para descrever os móveis, utensílios ou adornos do local. A ordem tanto pode ser da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, como também de trás para a frente, ou vice-versa, levando-se em conta a posição do observador e a disposição dos objetos.
    Na Conclusão, terminamos por fazer um comentário de caráter geral, que pode ser, por exemplo, sobre a atmosfera do ambiente descrito (de luminosidade, cor e alegria, ou de desolação e tristeza), ressaltando a impressão que causa em quem dele se aproxima ou o frequenta.

    Veja agora um exemplo de descrição de ambiente, feito com o auxílio do esquema que acabamos de mostrar.

                                               O lugar e o tempo

    Ao entrar na sala daquele casarão antigo, tem-se, de início, uma desagradável sensação de abandono e de uma certa tristeza.
   As paredes, já quase sem cor devido à ação do tempo, as duas janelas fechadas, com suas venezianas carcomidas, situadas na parede oposta à porta, também velha, davam a quem lá chegava a impressão de estar adentrando um museu abandonado. O chão já sem brilho e o teto no qual havia um lustre luxuoso, mas empoeirado e com poucas lâmpadas em funcionamento, confirmavam a impressão inicial. Sentia-se também no ar o odor dos tapetes embolorados.
   Da porta, avistavam-se logo à frente alguns móveis em estilo colonial, muito antigos, mas belíssimos - verdadeiras raridades. No centro da sala, uma mesa de cor marrom sobre um tapete persa de rara beleza. Mais perto da porta, uma poltrona revestida por um tecido amarelo florido e, como os outros móveis, empoeirada. Nas paredes, quadros de paisagens e retratos daqueles que algum dia habitaram o que deveria ter sido uma casa esplendorosa.
    Em toda a sala pairava uma atmosfera de desolação, de decadência, de en- velhecimento, que causavam em quem a contemplava uma sensação de nostalgia.
           

OBSERVAÇÃO:
    Lembre-se de que a pessoa que descreve pode ou não aparecer, em alguns momentos, em meio à descrição. Isso não ocorreu no exemplo acima. Entretanto, você pode fazê-lo, conforme sua vontade.

EXERCÍCIO
    Treine você também. Descreva, com base no mesmo esquema, uma sala de jantar, seu quarto ou sua sala de aula. Procure criar um título original.
    __________________________________________________________________

A  descrição  de  paisagens

    A descrição de paisagens, por sua vez, propicia a elaboração de um outro esquema.
    Tanto a paisagem urbana quanto a rural podem ser descritas através do esquema que
mostraremos agora:

                            Esquema  de  descrição  de  paisagens
                                                      Título
1º parágrafo
Comentário sobre sua localização ou qualquer
outra referência de caráter geral.
Introdução
2º parágrafo
Observação do plano de fundo: explicação do que se vê ao longe.
Desenvolvimento
3º parágrafo
Observação dos elementos mais próximos do observador: explicação detalhada dos elementos que compõem a paisagem. de acordo com determinada ordem.


Desenvolvimento

4º parágrafo
Comentários de caráter geral, concluindo acer-ca da impressão que a paisagem causa em
quem a contempla
Conclusão

       
      Na Introdução, convém mencionar onde se localiza a paisagem que você está des- crevendo: região, município, estado, etc., ou fazer qualquer referência de caráter geral.
      No início do Desenvolvimento, no segundo parágrafo, você começa explicando o que vê ao longe., como está o céu (ensolarado. nublado, etc.) e o que se enxerga no plano de fundo (algumas montanhas, regiões de florestas, a zona periférica da cidade,etc.).
     Ainda no Desenvolvimento, no terceiro parágrafo, é hora de dizer o que você con- segue avistar em um plano mais próximo. Em outras palavras, você descreverá os ele- mentos que se encontram mais perto do observador, seguindo uma determinada ordem da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda), de tal modo que fique claro para o leitor a posição em que eles se encontram.
    Se preferir, nada o impede de escrever primeiro sobre os objetos que estão mais próximos do observador, para depois fazer referência ao plano de fundo. Dessa maneira, você inverteria a ordem dos dois parágrafos do Desenvolvimento.
    Na Conclusão retoma-se novamente qualquer observação de caráter geral, isto é, algo relativo à paisagem como um todo. Procure falar sobre a impressão que a paisagem causa em quem a contempla, mencionando, por exemplo, se ela reflete grande beleza (uma fazenda repleta de rica vegetação, ar puro) ou provoca uma sensação desagradável (uma metrópole poluída, de aparência um tanto sombria). Lembre-se de que você pode fazer qualquer comentário, desde que não mencione um detalhe insignificante da paisagem que está descrevendo.
    Leia agora dois exemplos de descrição: um de paisagem rural e outro de urbana.
     As duas composições foram elaboradas com o auxilio do esquema de descrição de pai-
sagens.

                                 Sítio Alvorada: um recanto especial

      Nas proximidades da cidade de Campo Limpo existe um pequeno sítio. Situa- se em um terreno inclinado e arborizado quase que em sua totalidade,
     Olhando-se da casa construída bem no centro do sítio, veem-se, até onde a vista alcança, outros pequenos sítios com as mesmas características e, bem ao fundo, algumas colinas cujo verde cintila pela ação dos poderosos raios de sol.
     Em sua parte mais baixa, existe um milharal que se estende até a casa de paredes brancas e janelas enormes. Em frente à varanda há um jardim com flores variadas, que exalam perfumes agradáveis e suaves. Já ao lado da casa existe um poço e, subindo um pouco mais, avista-se um pomar repleto de árvores frutíferas, em especial mangueiras, além da horta, onde predominam certos tipos de vegetal. Em sua parte mais alta, não cultivada, há um pequeno gramado, onde as crianças costumam brincar e, de lá de cima, contemplar toda a região.
    Estar ali, em meio ao pomar ou ao jardim, respirando aquele ar puro, com o leve aroma dos eucaliptos que circulam a região, traz a qualquer um que frequente o local uma profunda sensação de paz. Lá reinam o silêncio e a harmonia entre o homem e a natureza.
        Veja agora como podemos descrever uma paisagem urbana. Faremos o observador
aparecer no texto em alguns momentos.

                                Um patrimônio de todos os paulistanos

     Do alto do edifício em que trabalho avisto, todos os dias, uma das mais importantes avenidas da cidade de São Paulo.
    Hoje, nesta manhã nublada, a poluição, mais do que nunca, domina o ambiente, e posso ver daqui de cima os grandes edifícios aparentemente cinzentos, mas imponentes e gigantescos, que se estendem por toda a avenida.
    Do exato lugar em que me encontro, percebo, do outro lado da rua, o contraste criado por um enorme edifício, quase todo de vidro, de arquitetura arrojada, e uma casa antiga, do início do século, a qual certamente pertenceu a um "barão do café". Do lado direito da casa, um outro edifício, um pouco menor, que abriga vários escritórios dos quais entram e saem pessoas a cada instante.
    Ao contemplar este panorama e a movimentação frenética das pessoas, que caminham apressadamente em todas as direções, tem-se o exemplo mais característico do espírito empreendedor desta avenida - retrato autêntico do progresso, movido por todos que contribuem com sua energia produtiva.

EXERCÍCIOS

1.Elabore uma redação valendo-se dos elementos que constam no esquema de des- crição de paisagens. Descreva uma fazenda que você tenha visitado ou que imagina poder existir em algum lugar. Dê-lhe um título interessante. Procure utilizar linguagem formal nesta composição.


2 . Faça uma descrição da rua em que você trabalha ou na qual mora. Não se esqueça de criar um título.

quarta-feira, 30 de março de 2016

A DESCRIÇÃO DE OBJETOS

   Nesta postagem, tentaremos mostrar de que modo você pode descrever objetos.
Inicialmente, é preciso distinguir dois tipos básicos de objetos:
1) aqueles que se constituem essencialmente de uma única parte. Exemplos: um pedaço de giz, uma pedra, um balão de gás, um cinzeiro, um clipe. etc.;
    2) os que se constituem da reunião de várias partes. Exemplos: uma caneta, um apa-
relho de televisão, urna cadeira, um relógio, etc.
    Convém utilizar processos diferentes para descrever estes dois tipos de objetos.

Objetos constituídos de uma parte
Aqueles que constituem basicamente de uma única parte poderiam ser descritos através do esquema abaixo:

                            Esquema de descrição de objetos - variação 1
                                                      Título
        1º
parágrafo
Observações de caráter geral referentes à proce-   dência ou localização do objeto descrito.


Introdução



2º parágrafo
                Detalhes (1ª  parte)

Formato: comparação com figuras geométricas e com objetos semelhantes

Dimensões:  largura, comprimento, altura, diâme-tro, etc.




Desenvolvimento
3ª parágrafo
                    Detalhes  (2ª  parte)

Material, peso, cor, brilho, textura.

Desenvolvimento
4º parágrafo
    Observações de caráter geral referentes à sua
utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto como um todo.

Conclusão

      Veja agora a explicação desse esquema. Da mesma forma como você procedeu para
descrever pessoas, deve também agir na descrição de objetos: iniciar e terminar sua redação com uma referência de caráter geral. Isto significa que não convém começar ou terminar sua composição com um detalhe qualquer. É preciso que tanto na Introdução quanto na Conclusão você faça referências gerais.
     Como mostra o esquema, sugerimos que, no primeiro parágrafo, você diga de onde vem o objeto, ou seja, onde foi fabricado ou de que região foi trazido. Se não houver condições de determinar a procedência, pode então dizer onde o objeto se encontra, ou seja, dar sua localização. É evidente que, se você souber, poderá falar tanto da procedência quanto da localização.
    Ao começar o Desenvolvimento, é hora de descrever o objeto com detalhes.
    Para falar do formato, é necessário lançar mão de figuras geométricas, dizendo se ele é retangular, oval, circular, quadrado, ou mesmo fazer comparações com objetos semelhantes. no sentido de deixar bem claro como é o objeto descrito.
   Em se tratando das dimensões, você usará aquilo que se adaptar ao objeto. Se ele for circular. deverá mencionar seu diâmetro; no caso específico de se apresentar em forma de retângulo. por exemplo, certamente irá mencionar sua largura e seu comprimento, e assim por diante.
   Especifique, na segunda parte do Desenvolvimento, o material de que o objeto é feito, relacionando-o ao peso que apresenta. Depois fale da cor ou das cores, comente sobre seu brilho, ou mesmo, se for o caso, diga que é opaco. Fale a respeito de sua textura: se é liso, macio, rígido, etc.
   Partindo do princípio de que você não estará fazendo uma descrição técnica; não será necessário dar medidas exatas, mas sim referências aproximadas das dimensões e do peso.
   Para terminar a redação, sugerimos que comente sobre a utilidade do objeto, ou seja, onde é usado, se é utilizado com muita frequência, ou faça qualquer outra observação que se refira a ele como um todo.
   É sempre bom lembrar que você pode captar a realidade por outros sentidos que não somente os da visão. Exemplos: "objeto do qual se desprende um suave perfume" (olfato) ou "é frio ao contato" (tato).
   Veja agora um exemplo de descrição de um objeto elaborada com o auxílio do esquema que acabamos de estudar.

                                            Um clipe, dois clipes

    Este pequeno objeto que agora descrevemos encontra-se sobre uma mesa de escritório e sua função é a de prender folhas de papel.
   Tem o formato semelhante ao de uma torre de igreja. É constituído por um único fio metálico que, dando duas voltas sobre si mesmo, assume a configuração de dois desenhos (um dentro do outro), cada um deles apresentando uma forma específica. Essa forma é composta por duas figuras geométricas: um retângulo cujo lado maior apresenta aproximadamente três centímetros e um lado menor de cerca de um centímetro e meio; um dos seus lados menores é, ao mesmo tempo, a base de um triângulo equilátero, o que acaba por torná-lo um objeto ligeiramente pontiagudo
    O material metálico de que é feito confere-lhe um peso insignificante. Por ser niquelado, apresenta um brilho suave. Prendemos as folhas de papel fazendo com que elas se encaixem no meio dele.
    Está presente em todos os escritórios ou locais onde seja necessário separar folhas em blocos diferenciados. Embora aparentemente insignificante, dadas as suas reduzidas di-mensões, é muito útil na organização de papéis.


OBSERVAÇÕES:
Os elementos enumerados no esquema (Desenvolvimento) não precisam ser necessaria-
mente mencionados em separado, como mostra a descrição acima. No segundo parágrafo, as informações sobre as dimensões e o formato foram dadas ao mesmo tempo.
A esses dados podemos acrescentar qualquer outra informação que julguemos im-
portante para a caracterização do objeto descrito.

EXERCÍCIO
Utilizando o esquema estudado, descreva um pedaço de giz ou uma borracha.

Objetos constituídos de várias partes
Objetos que se compõem de várias partes podem ser descritos de maneira um pouco
Diferente, com o auxílio de um outro esquema:

                        Esquema de descrição de objetos - variação 2
                                                             Título
parágrafo
  Observação de caráter geral referente à procedên-cia ou à localização do objeto descrito.

Introdução

parágrafo
  Enumeração (e rápidos comentários) das partes que compõem o objeto, associada à explicação de como as partes se agrupam para formar o todo.

Desenvolvimento
parágrafo
Detalhes do objeto visto como um todo (externamen-
te): formato, dimensões, material, peso, textura, cor e brilho.

Desenvolvimento
parágrafo
Observação de caráter geral referente à sua utiIidade
de ou qualquer outro comentário que envolva o obje- na sua totalidade.


     Pela leitura do esquema, você nota facilmente que a única diferença entre ele e o esquema de descrição de objetos estudado anteriormente reside nos parágrafos do De- senvolvimento. Como o objeto agora se compõe de várias partes, no primeiro parágrafo do Desenvolvimento você irá dizer quais são, explicando resumidamente o que for mais importante sobre cada uma delas. No segundo parágrafo, fará a descrição do objeto visto como um todo, pormenorizando os elementos mencionados no esquema e explicando, ao mesmo tempo, como as partes se juntam a fim de formá-lo.
     Leia agora uma redação feita com base no esquema de descrição de objetos - variação 2, na qual tentamos descrever uma caneta esferográfica.

                                                  A esfera mágica
    Fabricada atualmente em larga escala, a caneta esferográfica parece ser um objeto simples; no entanto, é constituída por inúmeras partes que se agrupam.
   Em sua constituição, verificamos a presença dos seguintes elementos: um tubo cilíndri-
drico, fino e comprido, de plástico, dentro do qual é colocada a tinta azul; urna ponta de acrílico em forma de cone que se liga a urna das extremidades do tubo. Na ponta deste cone há urna esfera minúscula através da qual a tinta sai, passando para o papel. Há também um tubo cilíndrico maior, de acrílico, que envolve o tubo de plástico, e duas tampas: uma interna e outra maior e externa em cada uma das extremidades do cilindro de acrílico.
   Se observarmos a caneta fechada com a tampa, veremos que ela assume a forma de um cilindro de aproximadamente quinze centímetros de comprimento e meio centímetro de diãmetro. Por ser constituída de materiais leves, corno plástico e acrílico, seu peso é muito pequeno. O tubo externo é translúcido e as tampas de plástico apresentam a mesma cor da tinta dessa caneta: azul. A tampa externa tem o formato de cone alongado e dela sai uma pequena haste.
    A caneta esferográfica encontra-se hoje em todos os lugares, entre os quais escolas, firmas, escritórios e consultórios. Estará presente sempre que alguém escrever algo sem sujar suas mãos de tinta.
EXERCÍCIO
Agora é a sua vez de treinar. Elabore uma descrição de um lápis ou de um aparelho de televisão. Utilize, desta vez, o esquema de descrição de objetos - variação 2, se você achar que ele pode auxiliá-lo. Procure criar um título original.