sábado, 8 de abril de 2017

CAPÍTULO DOIS - COMO COMEÇAR O SEU TEXTO

    

    Conhece  aquele  ditado: "A primeira impressão é a que fica” Pois é, ele tem a sua razão de ser. Na redação isso também acontece: as primeiras linhas são muito importantes para atrair a atenção do leitor e conquistar o seu interesse.
    Uma boa redação começa com um parágrafo de introdução eficiente, que dá uma visão geral do assunto que será abordado.
    Se o início do texto for fraco, mesmo que você tenha boas ideias ao longo da redação, elas podem não ser suficientes para desfazer a má impressão.
    Se você começar bem seu texto, o avaliador lerá os parágrafos seguintes com mais prazer e boa vontade. Por isso, capriche!

     Veja ideias possíveis para usar na introdução:

. Faça uma pergunta no final do parágrafo, para instigar a discussão.

. Fale da relevância do tema: por que ele é importante?

. Cite algum estudo, notícia, declaração ou evento recente que trouxe o assunto à tona.

. Mencione que o assunto vem sendo debatido na mídia nos últimos tempos.

EXEMPLO COM O TEMA:  A  EDUCAÇÃO DE HOJE PERPETUA O RACISMO?

     Foi necessário promulgar uma Lei (n. o ro.639/03) para que as escolas passassem a ensinar história e cultura afro-brasileiras, incluindo temas como história da África, a luta dos negros no contexto brasileiro e sua contribuição na história e na cultura do Brasil. Isso porque, embora sejamos um país em que a maioria da população é negra e parda, a história sempre foi ensinada com um viés eurocêntrico, sem dar chance às crianças
brasileiras de sentir orgulho de suas origens.

EXEMPLO:  LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Os atentados ocorridos na França em 2014 contra o jornal Charlie Hebdo reacendem uma polêmica importante num mundo marcado pelo poder dos meios de comunicação: a liberdade de expressão tem limites ou é permitido dizer e escrever tudo, mesmo que isso possa ferir os sentimentos e crenças dos demais?

     Um ponto importante: não use 1ª pessoa do singular nem na introdução, nem em qualquer outro ponto da redação.
     No texto dissertativo, predomina a impessoalidade ou, no máximo, a 1ª pessoa do plural.
      Por exemplo, em vez de: "Acredito que a economia brasileira vai de vento em popa", prefira: "A economia brasileira vai de vento em popa", simplesmente. Ou, ainda: "Sabemos que a economia brasileira vai de vento em popa. Jamais escreva "eu acho", "eu penso" e outras expressões desse tipo.

EXERCÍCIO

     A partir deste momento, você construirá uma redação passo a passo, seguindo as orientações e modelos para cada parte do texto.

    O tema será o da prova de redação do Enem 2014: "Publicidade infantil em questão."

    Em cada exercício, você poderá consultar um exemplo, construído a partir de outro tema: "O crescimento desordenado das grandes cidades e seus impactos."

    Então, vamos começar. Antes de tudo, é preciso ter clara a proposta de intervenção que será defendida.

    No nosso exemplo, temos duas propostas para fazer, a fim de atenuar as consequências ambientais e sociais causadas pelo processo de urbanização
acelerada. São as seguintes:

             *É preciso que o governo crie  políticas para dar mais qualidade de vida às   
        populações.

             * Ao mesmo tempo, as pessoas precisam se envolver e cuidar melhor das
        cidades, em prol da coletividade.

     Considerando essa finalidade do texto, veja um possível parágrafo de introdução para um texto redigido a partir do nosso tema-exemplo:

    Nas últimas décadas, cada vez mais gente deixou o campo em busca de oportunidades nas grandes cidades. Esse processo de urbanização acelerada e pouco planejada trouxe
sérias consequências, tanto ambientais como sociais.

    Agora é com você: crie um parágrafo de introdução para o tema da redação do Enem 2014  "Publicidade infantil em questão”, cujo enunciado e textos de apoio aparecem na sequência.

                            PROPOSTA  DA REDAÇÃO DO ENEM 2014
     
    A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base, nos conhecimentos construí dos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema “Publicidade infantil em questão no Brasil”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu
ponto de vista.

TEXTO I
   
 A aprovação, em abril de 2014, de uma resolução que considera abusiva a publicidade
infantil, emitida pelo Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), deu início a um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs de defesa dos direitos das crianças e setores interessados na continuidade das propagandas diriigidas a esse público. Elogiada por pais, ativistas e entidades, a resolução estabelece como abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem "a intenção de persuadi-la  para o consumo de qualquer produto ou serviço" e que utilize aspectos como desenhos animados, bonecos, linguagem infantil, trilhas sonoras com temas infantis, oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis que tenham apelo às crianças.
     Ainda há dúvidas, porém, sobre como será a aplicação prática da resolução. E associações de anunciantes, emissoras, revistas e de empresas de licenciamento e fabricantes de produtos infantis criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimidade constitucional do Conanda para legislar sobre publicidade e para impor a resolução tanto àsfamílias quanto ao mercado publicitário. Além disso, defendem que a autorregulamentação pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já seria uma forma de controlar e evitar abusos.

(IDOETA, P. A.; BARBA, M. D. A publicidade infantil deve ser proibida? Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 23 maio 2014 (adaptado).

TEXTO  II



 TEXTO III

     Precisamos preparar a criança, desde pequena, para receber as informações do mundo exterior, para compreender o que está por trás da divulgação de produtos. Só assim ela se tornará o consumidor do futuro, aquele capaz de saber o que, como e por que comprar, ciente de suas reais necessidades e consciente de suas responsabilidades consigo mesma e com o mundo. SILVA, A. M. D.; VASCONCELOS, L. R. A criança e o marketing: informa-ções essenciais para proteger as crianças dos apelos do marketing infantil. São Paulo: Summus, 2012 (adaptado).

       Lembre-se, como no exemplo, antes de escrever vamos começar definindo uma pro-posta de intervenção. Afinal, não é possível começar um texto sem saber aonde se pretende chegar!

        Possível proposta de intervenção social:

         A publicidade infantil deve ser regulamentada pelo governo federal para proteger as crianças dos abusos das estratégias de marketing. A fiscalização do cumprimento dessas normas precisa ser rígida e permanente.


        Considerando essa tese, escreva agora seu parágrafo de introdução. 


COMENTÁRIO

Uma versão possível:
Num mundo em que o consumo e a propaganda invadem nossas casas pormeio das mais diversas estratégias de marketing, uma preocupação depais e mães se torna cada vez mais frequente: a necessidade de proteger ascrianças do assédio da comunicação mercadológica, ao menos enquantoelas não tiverem o discernimento necessário para avaliar e criticar esses discursos.

Outra versão possível:
A organização social do mundo capitalista depende do consumo.Justamente por isso, cada vez se investe mais em estratégias de marketingagressivas e sedutoras, que ajudem a conquistar compradores para os mais diversos bens e serviços. Porém, quando falamos de produtos para crianças, até que ponto é legítimo direcionar a elas a publicidade e a comu-nicação mercadológica?

sexta-feira, 24 de março de 2017

CAPÍTULO UM - A ESTRUTURA DA REDAÇÃO: COMEÇO, MEIO E FIM.

   

    Repare na sequência de falas da ilustração. De certa forma, é um exemplo de discurso argumentativo. Nele, o jovem fez o seguinte:

1-Apresentou a situação-problema.

2-Fez uma proposta baseada r\a avaliação dos argumentos.

3-Expôs argumentos mostrando conhecer os aspectos positivos e negativos.

3.Fez uma proposta baseada na avaliação dos argumentos.

     É claro que essa é uma situação simples, do cotidiano. Na prova de redação,
você precisará argumentar e defender posições sobre temas mais complexos.
Sua tarefa é exatamente essa: defender um ponto de vista sobre um assunto, usando argumentos - razões, evidências, exemplos, provas , construindo um raciocínio coerente e consistente para influenciar o leitor.
      Sabe aquelas pessoas que começam a falar de um assunto e não param, uma coisa emenda na outra, entra uma história no meio, de alguém que você nem conhece, e por aí vai?
     É quase impossível acompanhar um raciocínio desses. Nas redações, pode acontecer a mesma coisa.
     Por isso, para ter lógica, com ideias que o leitor possa acompanhar, uma redação dissertativo-argumentativa precisa ter começo, meio e fim.

      No livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, há uma conversa em que a protagonista pede conselho ao gato sobre qual caminho seguir:
    Alice- Senhor gato, pode me dizer que caminho devo tomar?
    Gato- Isso depende de para onde você quer ir!
    Alice - Para mim isso importa pouco.
    Gato- Nesse caso, pouco importa o caminho que você vai seguir!

        Essa lição é muito importante para falar de uma redação perfeita. Antes de
começar um texto, você precisa definir qual é o norte, aonde deseja chegar.

        O Enem, especificamente, pede que você elabore uma proposta de intervenção social para determinado problema. A redação deve ser construída   como se fosse um caminho que prepara essa conclusão.
        Uma redação bem conduzida é aquela em que o leitor é levado até a
proposta de intervenção com argumentos sólidos e bem fundamentados.
        Por isso, o primeiro passo é definir o esquema geral do texto: qual será
a sua proposta de intervenção social? Que trilha de argumentos você utilizará para para levar o leitor até ela?    .

      Veja um exemplo. Suponha o tema:   "Reforma agrária em questão. "

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

      A reforma agrária precisa começar já, com a compra de latifúndios improdutivos  pelo governo, loteando para famílias  que não possuem terras para. plantar. Esse pode ser um importante fator paro. impulsionar o crescimento do país.

IDEIAS / ARGUMENTOS

Ideia 1-: É injusto que poucas pessoas sejam donas de tanta terra, enquanto tan-tos  vivem sem nada.

Ideia 2: De acordo com o Estatuto da Terra, criado em 1964, o Estado tem o dever de 90 de garantir o direito de acesso à terra para quem vive e trabalho nela.


Ideia 3: Essa desigualdade é histórica. A política de aquisição de terra na época
colonial formou vários latifúndios, e mesmo em 1822, com a Independência. do Brasil, a demarcação de bens imóveis rurais foi realizada com o critério da lei
do mais forte. As maiores terras ficaram com os mais poderosos, problema que se
perpetuou até os dias atuais.

Ideia 4: A concentração exagerada de terra não é positivo para o Brasil, pois grande parte dessas áreas é improdutivo., o que impacta  a  economia..

Exercício 1

     Você certamente tem uma opinião a esse respeito: se a reforma agrária deve-ria ser realizada no Brasil ou não, e por quê. Antes de começar a escrever, você precisa organizar a cabeça nesse sentido. Algo como este esquema:
     Agora você praticará a ordenação lógica de ideias. Descubra a sequência das partes dos textos que seguem, numerando as colunas de acordo com a ordem em que deveriam aparecer, de modo que o conjunto faça sentido e fique coerente:

A) Texto A - Tema: "Reforma agrária"
(   ) A reforma agrária se justifica, em primeiro lugar, porque é um paradoxo ab-surdo o fato de que tão pouca gente seja dona da maior parte da terra. Enquanto uns têm muito, outros vivem sem nada.
(   ) Além disso, há que considerar que a concentração exagerada de terra não é positiva para o Brasil. Grande parte dessas áreas é improdutiva, o que traz impac-to para a economia.
(   ) Considerando o exposto, é urgente que o país inicie o processo de revisão da distribuição de terras, garantindo o respeito aos direitos dos cidadãos, para cons-ruir uma sociedade mais igualitária. Isso é essencial para que o Brasil melhore seu potencial de crescimento.
(   ) Não deixa de causar estranheza, para os que vivemos no século XXI, num mundo marcado por grandes avanços científicos e tecnológicos, discutir a necessidade de reforma• agrária - questão que deveria ter sido resolvida desde o século XIX. Hoje, não temos mais como ignorá-la, seja por justiça, seja por motivo econômicos.
(   ) Por outro lado, há que ponderar que, quando esses grandes territórios são produtivos e cumprem um papel econômico relevante, em tese não haveria sentido em propostas como a desapropriação.
(   ) Vale ressaltar, de todo modo, que a questão não pode se resolver por decreto, sem uma análise séria e cuidadosa que leve em conta critérios de produtividade e contribuição econômica.

B) Texto B - Tema: "Piadas de mau gosto nas redes sociais"
(   ) Isso vem ocorrendo com cada vez mais frequência nas redes sociais, qualquer que seja o acidente ou a tragédia da vez.
(   ) Quase tão chocantes quanto a morte trágica de um dos candidatos à presidência são os conteúdos desrespeitosos e piadas de mau gosto que se espalharam imediatamente pela web.
(   ) Incapacidade de se colocar no lugar de quem sofre, gosto pelo que é bizarro e infame, alegria com a desgraça alheia, indiferença absoluta pela vida e o sofrimento humanos?
(   ) Como explicar tais reações, tanto de quem cria como de quem aplaude e dissemina esse tipo de conteúdo disfarçado de humor?
(   ) É momento de rever a educação ministrada a crianças e jovens, para reforçar outros valores, sobretudo neste momento em que poderosas tecnologias digitais estão a nosso alcance e podem ser usadas com qualquer finalidade.
(   ) Nessa linha, famílias e escolas precisam ficar mais atentas à formação ética. Cuidar de princípios que são imprescindíveis para a convivência social. Formar para a civilidade. Ensinar o respeito pelo outro, que deve guiar todas as atitudes da vida - inclusive o que se diz na internet.

C) Texto C - Tema: "Deficiências do ensino de matemática no Brasil"
(   ) O prêmio que o carioca Artur Ávila, do Impa, venceu recentemente é um estímulo para que o país redesenhe o ensino da matemática na escola básica.
(  ) Para resolver esse problema, há que trabalhar desde o ensino fundamental com desafios contextualizados, estímulo ao raciocínio lógico, geometria aplicada ao dia a dia, problemas voltados para a realidade, para a matemática que está no cotidiano.
(  ) O fato de ser a primeira Medalha Fields outorgada a um brasileiro confirma o abismo que existe na aprendizagem dessa área do conhecimento. Enquanto poucos se destacam, a maioria dos estudantes patina nessa disciplina, que ainda é ensinada de forma abstrata e
descontextualizada, difícil de aprender.
(  ) Uma das consequências se percebe nos cursos de nível superior que exigem domínio da matemática, como por exemplo, as engenharias: enquanto o Brasil forma menos de 40 mil engenheiros/ano, a Coreia do Sul forma o dobro, e a China, dez vezes mais.
(  ) Enfim, pode-se dizer que o prêmio conquistado por Artur Ávila é um estímulo e mostra que, com as condições adequadas, a matemática pode ser, mais do que um conteúdo necessário, um desafio fascinante.
(  ) Além disso, é preciso reformular a formação do professor, uma vez que, atualmente, a didática da matemática é deixada em segundo plano.
(  ) Prova disso são os indicadores internacionais que avaliam as competências dos estudantes brasileiros nessa área, nos quais o Brasil tem ficado quase sempre na lanterna.

GABARITO:
1.Organização de ideias:
A) 2 - 3 - 5 - I - 4 - 6    B) 2 - I - 4 - 3 - 5 - 6    C)I-5-2-4-7-6-3



terça-feira, 22 de novembro de 2016

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Texto1

Este momento que atravessamos, marcado por antagonismos étnicos, econômicos e socioculturais, transforma-se em um desafio para todos os cidadãos que desejam uma sociedade mais justa e igual. Fazem-se necessárias, mais do que nunca, discussões e reflexões em busca de saídas para as grandes questões sociais e humanas.
      (A Construção da Paz. Ano 10, n. 14, jan.-jun./2001.Internet: <http://www.uneb.br> (com adaptações)


Texto 2                  
100 questões
Excelente a última reportagem especial (“100 questões para entender o mundo”, 23 de junho). Ficou muito bem registrado que os desafios superados pela comunidade mundial nas últimas décadas ensinam que é, sim, possível vencermos os dramas da desigualdade, promover a tolerância e associar prosperidade com justiça, desde que todas as nações se reconheçam como partícipes soberanos e legítimos dessa nova conjuntura.
                              (Hugo Lins Coelho. Recife: Veja. Cartas, 30/6/2004 - com adaptações).

Texto 3                                             
    Pesquisa ouviu 3.500 jovens de 15 a 24 anos de idade em todos os estados brasileiros. Leia abaixo alguns dos aspectos que compõem o retrato da juventude no país. Qual o problema que mais o preocupa atualmente?Pensando em uma sociedade ideal, qual desses valores seria o mais importante?
Violência/criminalidade 2?%, Temor a Deus 1?%; Desemprego/futuro profissional 26%, Respeito ao meio ambiente 12%; Drogas 8%, Igualdade de oportunidades 12%; Educação 6%, Religiosidade 10%; Família 6%, Respeito a diferenças 8%; Saúde 6%,Solidariedade 8%; Crise financeira 5%, Justiça social ?%.                                                                                                                                    (IstoÉ, 5/5/2004 (com adaptações).
                   
Texto 4
Considerando que a humanidade dos humanos reside no fato de serem racionais, dotados de vontade livre, de capacidade para a comunicação e para a vida em sociedade, de capacidade para interagir com a natureza e com o tempo, nossa cultura e sociedade nos definem como sujeitos do conhecimento e da ação, localizando a violência em tudo aquilo que reduz um sujeito à condição de objeto.
 Do ponto de vista ético, somos pessoas e não podemos ser tratados como coisas. A ética é normativa exatamente por isso : visa impor limites e controles ao risco permanente da violência.
           (Marilena Chauí. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995, p. 33? [com adaptações).

        Considerando que as idéias apresentadas nos fragmentos de textos acima têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo posicionando-se acerca do tema seguinte e utilizando, necessariamente, o recurso de exemplificação.
                              

      “A sociedade não é o retrato apenas de seus governantes, é o retrato de seus cidadãos, em destaque, de suas elites. É o nosso retrato, do Brasil todo, de todos nós.” (Sérgio Abranches)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

PROPOSTA DE REDAÇÃO



Texto 1
     Aquele que fizer um bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e aquele que fizer um mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á.
                                                                          (Alcorão, 99°Surata, versículos 7e 8).



Texto 2
                                     O bom samaritano
Um certo doutor da lei, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus:
— E quem é o meu próximo? E, respondendo, Jesus disse:
— Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele, e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe:
“Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.” Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse:
— O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus:
—Vai e faze da mesma maneira.
                                                                                     (Lucas,X, 29-37—com adaptações]


Texto 3
    I  have a dream today. I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.

     Hoy, yo tengo un sueño! EI sueño que algún día los valles no sean profundos y que cada colina y montaña se allanen; que los lugares más ásperos se aplanen y los caminos tortuosos se hagan rectos; que la gloria de Dios se revele e toda la gente la contemple en comunión.

     Je fais un rêve aujourdhui. Je rêve qu’um jour chaque valiée sera élevée, chaque colline et chaque montagne seront nivelées, les endroits rugueux seront lissés et les endroits tortueux seront  alignés, et la gloire du Seigneur sera révélée et  tous les hommes la verront ensemble.
                                                                (Martin LutherKing - Washirngton - 28/8/1963)

      Considerando que as ideias acima têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo posicionando-se  sobre  o tema:
                
               Tornar o mundo melhor é  responsabilidade de todos e de cada um.




terça-feira, 1 de novembro de 2016

PROPOSTA DE REDAÇÃO

PROPOSTA  DE  REDAÇÃO

     Redija um texto dissertativo a respeito da violência, estabelecendo relações entre as ideias expressas nos textos I e II.

Texto 1
  A onda de violência que vivemos hoje deve-se a incontáveis motivos. Um deles parece-me especialmente virulento: o desinvestimento cultural na ideia do “próximo”.
 Substituímos a prática de reflexão ética pelo treinamento nos cálculos econômicos; brindamos alegremente o “enterro” das utopias socialistas; reduzimos virtude e excelência pessoais a sucesso midiático; transformamos nossas universidades em máquinas de produção padronizada de diplomas e teses; multiplicamos nossos “pátios dos milagres”, esgotos a céu aberto, analfabetos, delinquentes e, por fim, aderimos à lei do mercado com a volúpia de quem aperta a corda do próprio pescoço, na pressa de encurtar o inelutável fim.
  Voltamos as costas ao mundo e construímos barricadas em torno do idealizado valor de nossa intimidade. Fizemos de nossas vidas claustros sem virtudes; encolhemos nossos sonhos para que coubessem em nossas ínfimas singularidades interiores; vasculhamos nossos corpos, sexos e sentimentos com a obsessão de quem vive um transe narcísico e, enfim, aqui estamos nós, prisioneiros de cartões de crédito, carreiras de cocaína e da dolorosa consciência de que nenhuma fantasia sexual ou romântica pode saciar a voracidade com que desejamos ser felizes.
  Sozinhos em nossa descrença, suplicamos proteção a economistas, policiais, especuladores e investidores estrangeiros, como se algum deles pudesse restituir a esperança no “próximo” que a lógica da mercadoria devorou.
                                 
 Jurandir Freire Costa.- Folha de S.Paulo, 22/9/1996 (com adaptações).



Texto  2
   Inesgotável, o repertório do tráfico para roubar-nos a dignidade revive as granadas. Três delas ganharam a rua no curto intervalo de cinco dias, atiradas com a naturalidade de estalinho junino. Não explodiram por sorte, inabilidade ou velhice.
  Mas detonaram em nossas barbas o deboche repetido com a métrica cotidiana da violência: é guerra. Uma de suas raízes alimenta-se da disseminação de armas de fogo entre os traficantes, ferida aberta à sombra de varizes socioeconômicas, cuja cicatrização agoniza no mofo de desencontros e desinteresses políticos.
    Como o natimorto dueto entre os governos estadual e federal para reaver armamento militar em favelas do Rio: muita encenação, nenhuma palha movida.
    Doutor em combate, não precisa sê-lo para ver: urge desarmar o adversário.
  (Um adversário aparelhado até os dentes, cujo desplante avança como formiga no açúcar.) Caminho que exige a orquestração entre força e inteligência, prevenção e ataque — regidos pela convergência de esforços políticos, indispensável para se vencer uma guerra.
                             Editorial. Jornal do Brasil, 16/9/2004 (com adaptações).